Crônica - A pureza no olhar de uma criança

8.4.13 |


O dia começou um pouco fora da rotina. Ter que acordar meia hora mais cedo faz uma grande diferença, tanto no sono quanto no rendimento do dia; mesmo que pareça pouco tempo, faz falta para o organismo e rende horas de sono no dia. Sair e ter que correr pra dar tempo de pegar o ônibus não foi fora do normal... E a manhã se resume assim: exames, trabalho, alunos gritando, reclamando das notas e provas que ainda virão, nervosismo, fim do expediente, filas em bancos, espera no ponto de ônibus sob o sol de meio-dia, ônibus (vazio... ufa!) casa e beijo no maridão que já saía pra rotina dele.

Até aí, muitos eventos comuns e outros piores que o esperado. Talvez um bom cochilo sirva mesmo pra acalmar os ânimos. Após o almoço, dei-me o direito de dar uma dormidinha e, assim que me levantei, as atividades não poderiam ser esquecidas. Então foi hora de arrumar a casa e ir às compras no supermercado pertinho de casa.

Ainda está bem parecido com minhas outras sextas-feiras. Até que eu vi muitas crianças pelo caminho; muita pureza espalhada como um raio de luz; muita inocência que me remetia a um cheiro doce e suave.

Um primeiro menino brincava na rampa do supermercado e se aproximou de uma menina pouco maior que ele - como se já a conhecesse há tempos - já perguntando: “Você está com quem?” E ela, apontando pra dentro do comércio, disse: “Minha mãe. É aquela ali.” Observei que eles continuaram conversando; eu já não ouvia mais, pois segui meu caminho.

Logo após os caixas, na entrada, ainda havia alguns ovos de chocolate expostos. Assim que uma criança viu, abriu o sorriso e, com os olhos brilhando, exclamou: “Olha! Ainda é Páscoa!” Talvez a vontade fosse apenas de ganhar o chocolate e os brinquedos e, para isso, deveria dizer alto e com muita empolgação pra que os pais percebessem que ela desejava ganhar o ovo.

Uma terceira menina estava na companhia da mãe e da tia e saiu correndo, assim que viu um xampu da Barbie. Ela pegou, mostrou à mãe e demonstrou o quanto aquele objeto era valioso pra ela.

A última, menorzinha, no colo do pai, parece que está aprendendo a falar. O pai pega o celular, liga pra mãe e coloca no ouvido da menina dizendo pra que ela fale “mamãe”. Não foi bem-sucedido. Ela apenas ouvia a voz da mãe com um rostinho de atenção e encanto.

Em cada rostinho, uma alegria diferente; em cada fala, uma empolgação; em cada expressão, uma emoção. Em todos, igualmente, a pureza. Pra conversar e fazer novas amizades, pra se alegrar com um chocolate e fazer festa com um xampu. A capacidade de se alegrar com as coisas mais simples (para o mundo adulto) e conseguir demonstrar isso.

E eu, uma observadora de plantão, percebi que posso aprender com esses pequenos. Que não preciso de uma extraordinária razão pra me alegrar; em vez disso, eu posso enxergar o motivo de forma extraordinária e sorrir. Aprendi que posso ver o que há de bom em cada rosto.

Talita Cellia

Talita Cellia

Sou a Talita, 20 e poucos anos e quase professora de Química. Vivendo em Vitória/ES. E meus amores são família, amigos, música e, acima de tudo, Papai do Céu.

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