Luz, Câmera, Fé: 007

15.1.13 |


Há mais ou menos um mês, surgiu-me a ideia de fazer esta série que foi denominada de Luz, Câmera, Fé. Seguindo esta linha de raciocínio, gostaria de refletir com vocês, hoje, sobre um dos filmes de maior sucesso na história do cinema, pelo menos no que diz respeito a longevidade e público atingido ao longo dos anos: 007.

Acho que nem vi todos, pois são tantos que é até difícil achá-los para locar. 007 marca um estilo de produção cinematográfica que não só faz sucesso, como já foi copiado por uma infinidade de outros filmes e séries feitos para o cinema e para a TV. O último filme, inclusive, marca o 50º aniversário da série e se chama Operação Skyfall.

Pois bem, acho que este filme contém uma grande quantidade de elementos que poderiam ser destacados, mas escolherei apenas alguns que creio serem suficientes para os objetivos desta reflexão. Se eu pudesse dar um título para a série do James Bond eu a chamaria de "007: a saga que se reinventa sem se inventar." É impressionante a capacidade que os diretores e roteiristas ao longo dos anos tiveram de fazer e refazer os enredos, adicionando e retirando elementos, para se encaixar na sociedade que o filme seria vendido, vou lhe dar alguns exemplos.

Em primeiro lugar, a série que já teve 23 filmes surgiu claramente no contexto da Guerra Fria, na qual a bipolarização do mundo entre capitalistas (comandados por EUA e Europa ocidental) e socialistas (comandados por URSS e Europa oriental) deixava o mundo no constante medo de que uma guerra nuclear apocalíptica poderia acontecer a qualquer momento. Nesta época, James Bond sempre combatia algum vilão que se encaixava nesta lógica de mundo e que tentava maleficamente acabar com a paz e segurança de todos por meio de planos mirabolantes. Passado o tempo, o Muro de Berlim caiu, as disputas entre socialistas e capitalistas pararam de fazer o mesmo sentido para a sociedade; com isso, 007 passou a combater vilões que fazem mais sentido para o mundo contemporâneo. Sendo que neste último filme, o vilão é um legítimo ex-agente frustrado da própria agência inglesa para qual Bond trabalha, o que seria impensado em filmes de 40 anos atrás.

Outra coisa que me chama atenção são os atores e atrizes escolhidos para papéis importantes. O chefe do 007 sempre se chamou M, e é este personagem que manda e dá as ordens para todos na agência. Inicialmente, todos eles eram homens, já nos últimos filmes foi uma mulher que desempenhou o papel de chefe de Bond. Isso marca uma clara inclusão da mulher na vida da sociedade moderna, pois ela não é mais apenas alguém que escuta as ordens de algum homem, mas é também uma pessoa com poder de decisão e que deve ser respeitada.

Um próximo elemento que muda, a partir da última produção da série, é que em praticamente todos os filmes a secretária de M se chamava Miss Moneypenny e era representada por um típica inglesa branca, loira e dos olhos claros; já neste filme, ela é uma bela atriz inglesa negra. Isso marca a necessidade da inclusão dos negros na produção cultural da sociedade ocidental atual. Mesmo que ainda não seja em uma posição principal como já acontecesse em outros filmes.

E o que mais me chama a atenção em tudo isso é que apesar de todas estas mudanças, 007 continua sendo um sucesso como 007! Ele tem carros legais, armas mirabolantes e ainda é super querido nas telonas mundo afora. Embora esteja evidente que o imbatível James Bond da década de 60 deu lugar ao novo e muito mais atual James Bond que, às vezes, apanha e tem crises pessoais. O atual tem problemas para voltar a trabalhar, erra tiros em testes, e é, inclusive, diagnosticado como inapto psicologicamente para ser um agente secreto.

Aí você pode estar se perguntando, tudo bem Lucas, o que isso tem a ver com a fé cristã?! Olha, eu acho que a igreja de hoje em dia, muitas vezes, tem dificuldade de comunicar sua mensagem salvífica, pois ela não consegue se adaptar frente às constantes mudanças que acontecem à sua volta. Não pretendo com isso dizer que 007 é um bom modelo para a igreja, pelo contrário, ele mata pessoas, é alcoólatra, mulherengo e ainda não parece incentivar quase nenhum valor cristão básico. Mas a capacidade desta série de comunicar-se para pessoas da década de 60, 70, 80, 90, 2000 e agora já em 2013 é impressionante!
Sinceramente, tenho mais perguntas do que respostas neste texto, mas cotidianamente me pergunto: como comunicar a mensagem essencial do evangelho para pessoas de diferentes gerações? Qual é a mensagem essencial de Jesus Cristo? O que pode ser adaptado no entendemos dela e o que nunca poderá ser mudado, pois senão deixa de ser evangelho?

Gostaria de deixar dois versículos que creio que são essenciais para a fé cristã e que não são muito fáceis de comunicar na sociedade atual: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16) e "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:6).

Como continuar dizendo antigas e eternas verdades de salvação em uma sociedade que, muitas vezes, não simpatiza nem um pouco com a fé em Jesus Cristo?! Acredito que este é o desafio que, nós, cristãos do ano de 2013 temos para o nosso tempo.

Que Deus nos ajude a nos reinventarmos sem deixarmos de ser quem Ele espera que sejamos...
um abraço e bom filme!

Clique aqui para assistir ao trailer oficial do filme. 


Lucas Ribeiro

Lucas Andrade Ribeiro

Nasci e cresci em Ipatinga/MG. Fiz filosofia na Unicamp; e, hoje, sou seminarista na FaTeo, mestrando em Ciências da Religião e atuo na Metodista do Ipiranga.

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