"Sociedade líquida"

7.12.12 |


De acordo com Zygmunt Bauman (2012), um dos sociólogos mais respeitados e produtivos da atualidade, vivemos em uma sociedade líquida, em que nada é feito para durar. “Diferente do ‘sólido’ o líquido não tem forma constante; ele muda rapidamente, e isso sob a menor pressão”, disse Bauman. E essa inconstância resultaria em uma série de problemas, de acordo com ele. Na minha visão, um dos problemas mais sérios seria a instabilidade dos relacionamentos sociais e amorosos.

Quando parei pra pensar a respeito disso, me lembrei de uma cena recente...

Eu estava na casa da minha avó paterna e admirava alguns pratos de coleção que ela tem pregados na parede, formando um mural, e os pedi para o dia que eu tiver minha própria casa (acho lindíssimo!). Ela riu, e logo disse que ninguém quer coisa dos avós mais, ninguém se importa com as coisas antigas pra levar adiante; tudo é velho, ultrapassado, ninguém mais guarda nada para os filhos, netos... E começou a me mostrar a quantidade de coisas antigas (e bem cuidadas) que tinha em casa, que nunca precisaram ser descartadas e que, com o tempo, adquiriram valores sentimentais insubstituíveis. 

Voltando à colocação do início, sabemos que vivemos uma era digital, descartável e corriqueira. Mas, a questão é o que fazemos pra evitar que continuemos superficiais perante aos fatos do caos que isso tudo tem causado, e continuará causando, em nós, em nossa saúde física, mental e espiritual? Em nossos relacionamentos e em nossas escolhas?

Pessoas são usadas como pontes para chegar às satisfações egoístas e são rapidamente/facilmente descartadas, sem o interesse de vivenciar o tempo, a fim de “solidificá-las” em relacionamentos estáveis. São poucos os relacionamentos atuais que têm caráter duradouro. Não só os de caráter amoroso, mas as amizades também.

As pessoas não se sentem livres por ser quem são, são constantemente envergonhadas com suas aparências e comparadas com os estereótipos que a mídia exige.

O dinheiro tem sido a maior motivação da maioria. A ambição saudável para conseguir boa estabilidade financeira, facilidade e conforto, foi substituída por uma ganância doentia e viciante.

Percebo o quão iludida nossa geração é pelo padrão de renovação. Temos nos “moldado”, assim como o líquido, àquilo que nos tem sido apresentado diariamente.

Observando a atitude da minha vó (não que tenhamos que guardar pertences antigos conosco), pude perceber que são poucos os que mantêm valores saudáveis da vida. E aí, pensei no seguinte provérbio inglês que, certa vez, Bauman citou: Se você ganha algo, perde alguma coisa.

Daí, me pergunto qual é a qualidade daquilo que estamos perdendo (trocando,substituindo, descartando) e qual é seu valor se comparado àquilo que estamos ganhando?

Forte abraço,

Deus nos abençoe!

Lara Souza

Lara Souza

Meu nome é Lara (A pequena, Larinha, Laranafe..), como quiserem! Nasci em 1991, em Caratinga/MG. Sou mais uma que se esforça para agradar a Deus.

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