"Deus seja louvado" tem mais é que sair da nota do Real

11.12.12 |


Desde 1986 estampada nas cédulas de dinheiro do país, a frase: “Deus seja louvado” foi colocada em cheque pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, que pediu à Justiça Federal, a retirada da frase da cédula do real. Logo, o assunto se tornou um prato cheio para os crentões que acham tal medida um absurdo. Mas, analisando friamente, é claro que a frase de cunho cristão teria mesmo que sair da cédula do real. Mas não saiu. A 7º Vara da Justiça de São Paulo negou o pedido da procuradoria.

O texto da procuradoria paulista é perfeito: "A manutenção da expressão "Deus seja louvado' (...) configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro”. Como o Estado é laico e aberto à  liberdade religiosa, não há motivos para a frase ser mantida. 

Entretanto, um argumento senso comum e bem hipócrita tem se disseminado no meio cristão; você já deve ter lido, ou ouvido falar que: “Se o Estado é laico, por que temos vários feriados santos, e disso, ninguém reclama?”. Ok. Observando por essa ótica, é fácil pensar que, caso a medida da procuradoria fosse aceita, o Estado iria se utilizar de dois pesos e duas medidas, ou seja, para a cédula do real, as religiões com bases cristãs não são parâmetros, mas para os feriados, sim. 

Mas você ia mesmo querer que os seus feriados de descanso fossem removidos do calendário? Muitos de nós seríamos os primeiros a reclamar. Ou você se sentiria confortável se pegasse sua notinha de Real com os dizeres 'Alá seja louvado', 'Buda seja louvado', 'Salve Oxossi', 'Salve Lord Ganesha', ou 'Deus Não existe'?
Bem, a situação da frase “Deus seja louvado” já foi decidida e ela continua nas notas, mas vamos supor que um dia ela seja removida do Real e os feriados santos continuem no calendário, ainda que o Estado use mesmo dois pesos e duas medidas com relação à religião.  Ainda assim, não seria justificativa para a frase ser mantida no dinheiro. 

Ah, e isso faz tanta diferença na espiritualidade do país, né?! Faz tanta diferença para a nossa comunhão, para a vida da igreja. Só que não...


Filipe Souza

Filipe Souza

Cristão, jornalista e observador. Quero apenas aprender com tudo que acontece ao meu redor e poder compartilhar isso com as pessoas. É isso!

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