A irracionalidade racional do ser humano.

17.12.12 |


Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”. [Mt 12.34]

Chega a ser espantoso o nível de maldade que o ser humano consegue alcançar. O mais triste é que é espantoso, mas não é surpreendente. A palavra de Deus nos alerta dizendo que, nos últimos dias, haveria vários conflitos (Mt 10.21). De certa forma, nós, que procuramos orientação na Bíblia e através do relacionamento com Deus, por mais que saibamos que isto já era previsto, nunca conseguiremos olhar tais situações com naturalidade.

No último dia 26/11, presenciei um assalto na cidade em que moro. Um casal teve sua moto e todos os seus pertences levados por dois jovens, que me pareciam ser menores. Posso suspeitar de que a moto poderia ser trocada por algumas pedras de crack, para que eles pudessem sustentar o seu vício. Triste é saber que este sistema de distribuição de narcóticos é financiando por muitos que optam por comprar um produto pirata, por exemplo. Na outra mão, os que compram justificam que o original é mais caro, em decorrência dos impostos que financiam o Estado, e estes não retornam para a população.

Não venho legitimar o argumento de ninguém, mas é perceptível que ambos os sistemas funcionam para auto-benefício de poucos e são estrategicamente moldados para funcionar da forma errada. Eu chamo isto de irracionalidade racional, pois toda elaboração dos mesmos é racional, mas é irracional não se pensar nos desdobramentos que eles podem proporcionar.

Eu acho muito engraçado quando vejo alguém que procura ofender o outro dizendo: “você é um cachorro”. Sério, acho mesmo. Porque talvez “cachorro” seja o elogio mais lindo que eu pudesse receber. Quem tem cachorro e gosta deles (me inclua nesta lista), sabe que nenhum ser humano vivo tem a cumplicidade de um cachorro, tem a predisposição de se dar pelo outro que o cão tem, o perdão incondicional, a alegria espontânea demonstrada só de ver o dono chegar. E tudo isto é instintivo. Posso concluir, então, que a razão humana é, ao mesmo tempo, nossa maior virtude e o nosso maior defeito?

Tenho uma certa aversão à pieguice, mas é inevitável perguntar: cadê o amor entre os humanos? O que faz alguém matar um próximo? Por que as justificativas são tão torpes? Que mal há no fato de eu e você não torcermos para o mesmo time, não termos a mesma fé, não pensarmos igual? Não é a nossa variedade de personalidades e pensamentos que torna o mundo interessante?

Temo que a maldade humana seja tão “lugar comum” e que chegue um dia em que nós não nos preocupemos mais em nos livrar do mal, até porque já pensamos e nos comportamos como os maldosos. Pior ainda, fazendo maldade em nome de Deus.

Que Deus conserve nossa fé intacta e Sua luz cada vez mais intensa nesta iminente treva.



Eliézer Gomes

Eliézer Gomes

Publicitário, casado, músico por hobby, ministro de louvor, apaixonado pela escrita e agora, tentando ser blogueiro.

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