Navios em Colheres?

22.8.12 |


"E que eu possa continuar a ancorar meus navios na mais funda água da mais rasa colher." - Esther Rosado

Um dia, lendo um site chamado "Nave da Palavra", deparei-me com o texto de uma tal Esther Rosado, para mim, desconhecida, com o título: "Navio numa colher", de onde retirei a frase acima. E logo, pensei: "Caramba! Isso tinha que ter sido escrito por mim! Era exatamente o que eu queria dizer e não encontrei as palavras adequadas".

Acho que todos nós passamos por momentos assim, quando queremos falar algo e as palavras ficam presas na garganta ou não conseguem "pular" da nossa mente para o papel (ou word).

Não sei de vocês, mas eu fico muito frustrada quando me deparo com frases como esta... perfeitas; que dizem nada e tudo... na medida certa do meu sentimento.

Um sentimento tantas vezes aprisionado, pássaro engaiolado, impedido de sair do peito, mas que canta bonito, alto e forte, de lá de dentro... isto, ninguém, mas ninguém mesmo pode impedir.

Esses pensamentos são como os navios, ancorados em água de colher... Sentimentos de poeta, ou de quem se "liga em Deus", são capazes de proezas como esta. Capazes de singrar mares nunca dantes navegados em poça de chuva fina de final de tarde. Capazes de escalar os mais altos picos em cascas de nozes emborcadas ou de rodar o mundo inteiro num pião.

Sentimentos tal navios ancorados, balançando levemente num mar de calmaria... âncora lançada nas profundezas dos mares contidos numa simples colher de sobremesa. Ah, os meus sentimentos. Os meus pensamentos-pássaros, jamais aprisionados. Ah, minha memória-luz, pisca-piscando na escuridão de uma câmara qualquer; dentro de uma caixa-de-fósforo ou na amplidão da noite sem estrelas... sem limites...

Poemas, frases soltas, que à primeira vista não têm muito sentido, quase sempre me fazem lembrar de Deus. Frase como esta me fazem lembrar da forma poética e metafórica com que Jesus, Mestre da sensibilidade e da beleza, se dirigiu às multidões famintas de pão e de amor. Ele, Jesus, era capaz de ancorar navios em profundas águas de colher, de fazer com que os seus ouvintes retirassem força e fé de suas palavras, a ponto de remover montanhas e, como Ele próprio, ultrapassar limites e fazer sinais e maravilhas.

Portanto, essa frase da Esther me sensibilizou até às lágrimas... uma simples frase, em meio a tantas outras salpicadas num texto lindamente escrito. Por que esta? Porque, obedecendo à química da identificação de almas, tocou a minha alma, acordou a poeta adormecida há tanto! Da mesma forma que as Palavras Rhema de Jesus, conseguem, até hoje, acender a chama divina que há em nós, tornando-nos capazes de fazer com que o navio do nosso destino, embora ancorado, jamais deixe de seguir viagem!


Lisieux Souza

Lisieux Souza

Olá! Meu nome é Lisieux, tenho 57 anos, moro em BH e escrevo por pura paixão. Sou poeta,teóloga e pastora...e mãe da Lili!

Leia mais textos de Lisieux

  • rss

Todos os textos e imagens de JuveMetodistaBLOG são licenciados sob uma Licença Creative Commons. Clique aqui para saber mais sobre isso.
Leia também:
2leep.com
Deixe seu comentário!

Postar um comentário

Olá, ficamos felizes com sua visita no JuveMetodista BLOG! Obrigado por ler este post! Aproveite sua visita e deixe um comentário! Forte abraço!

Página Anterior Próxima Página