Rótulos que mudam os conteúdos - Parte 02

19.7.12 |


Tô aqui pra acabar com a ansiedade de vocês! Sei que estavam afoitos, esperando a segunda parte do texto "Rótulos que mudam conteúdos". Ok, voltemos à realidade...

Esta é a segunda parte do post da última sexta-feira!

Rótulos que mudam os conteúdos - Parte 02

Ministério de...

Ministério nada mais é do que uma incumbência, ou seja, um trabalho ou serviço. E o ato de ministrar nada mais é do que servir a alguém com alguma coisa.

Em Efésios 4, no versículo 8, a Palavra revela que Jesus subiu aos céus e levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. No versículo 11, ficam claros cinco ministérios: apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre. Estes ministérios são para o aperfeiçoamento e crescimento do corpo de Cristo (Ef 4: 12-13). E aqui chegamos a um ponto chave a respeito de ministérios.

A bíblia, em Efésios, deixa claro que ministérios são dados por Deus e para cumprir a vontade d'Ele na edificação do seu povo na Terra; logo, ministérios não podem ser usados como oportunidade de negócio ou autopromoção. Sendo Deus quem reparte os dons e direciona pessoas para ministérios, não há motivo para um ser humano se orgulhar, pois recebe de Deus a oportunidade de trabalhar em sua obra. Os méritos continuam sendo totalmente d'Ele.

Vou trazer à nossa conversa um assunto polêmico neste momento: “Ministério de...”, “ministro de...”, “levita”... e, por aí vai. Muitos ministérios foram criados pela igreja moderna para atender às necessidades atuais e não quero implicar com eles. Vou falar de “ministérios” que, na minha opinião, não deveriam existir. Antes de continuar lendo, peço: não se escandalize!

Não vejo motivo para a existência de ministérios de louvor, evangelismo e intercessão/oração. Isto não é heresia não, querido, continue comigo aqui, que você vai entender porque afirmo isto. Jesus nos deixou um verdadeiro código de conduta através de suas palavras. Ensinou sobre amor, justiça, ética, educação, paz, futuro, vida com Deus, santidade, etc. Dentre todas as coisas ensinadas por nosso Mestre, venho destacar três: Adoração, proclamação do evangelho e oração/intercessão.

Ele não disse: “Mandem jovens apaixonados por mim para escolas especiais para que se tornem evangelistas e, em companhia de alguns leigos, anunciem o meu evangelho”. Também não disse: “Criem grupos musicais e arrastem multidões para apreciar sua musicalidade enquanto cantam músicas com o meu nome”. E não disse também: “Separem pessoas comprometidas com a minha verdade, cheias de amor e do Espírito Santo e separe-as  pra orar e interceder pelos outros cristãos e por tudo mais que precisa ser pedido ao Pai”. Ele nos ordenou o “Ide”, ensinou sobre adoração em “Espírito e em verdade” e a orar seguindo o “Pai Nosso” como padrão. Claro que são exemplos bastante sucintos; poderíamos encher várias linhas de um texto citando os ensinamentos preciosos a respeito destes assuntos. Mas estes são suficientes para que eu defenda minha afirmação: “Não vejo motivo para a existência de ministérios de louvor, evangelismo e intercessão/oração.”

Louvor e adoração são atitudes que ultrapassam os limites da música e dança. E, na verdade, não dependem e não estão ligados a isto. Baseado nesta verdade, entendo que qualquer pessoa remida e lavada pelo sangue de Jesus é apta a ser um "verdadeiro adorador". A anunciação da chegada do Reino de Deus, a pregação do evangelho, ou seja, a proclamação da mensagem da cruz, é um dever de todo cristão. E a oração é algo vital. A oração, sem dúvida alguma, é o segredo da intimidade de Jesus com o Pai; Ele nos deixou este exemplo para que víssemos todos os benefícios desta prática.

Ok, concordo! Ainda não embasei minha afirmação sobre a não necessidade de criação de ministério de louvor, intercessão e evangelismo. Estamos falando de rótulos, certo? Em nosso “cristianês” a palavra ministério tem dois sentidos que se destacam: o primeiro, o que fica claro em Efésios 4, como “serviços especializados”, ou seja, dons que proporcionam ações mais eficazes no sentido de "aperfeiçoar os santos, edificar o corpo de Cristo". E também usamos a palavra ministério como um substantivo coletivo, indicando uma aglomeração de pessoas com dons semelhantes. Quando digo que não há necessidade da criação de ministérios, não é nada contra aos grupos de pessoas que exercem, com muito empenho e capacidade, funções relacionadas à música, intercessão e evangelismo, mas, contra aos rótulos criados por uma falta de entendimento bíblico em relação a este assunto.

O fato de existir o Ministério de Intercessão, em muitos casos, faz com que poucas pessoas, além das que fazem parte do grupo, compareçam às reuniões de oração e intercessão. A existência de Ministério de Louvor condiciona a mente de muitas pessoas a expressarem seus sentimentos e emoções a Deus somente através dos cânticos entoados nos momentos musicais dos cultos e reuniões de uma congregação. E, talvez aquilo que seja mais perigoso, a existência de Ministério de Evangelismo gera uma sensação de conforto que, em muitos casos, faz minar o ardor missionário gerado pelo primeiro amor, simplesmente porque irmãos capacitados e instruídos estão fazendo este trabalho.

Todos os crentes são motivados pelo Espírito Santo e pelas palavras de Jesus à adoração/louvor, evangelismo/missão e oração/intercessão. O sangue de Jesus é o “passaporte” (Hebreus 10.19,20) que permite a entrada à presença de Deus. Não há necessidade de um grupo de músicos servindo à igreja através de sua arte para haver adoração/louvor, não há necessidade de estar inserido no contexto de um grupo de evangelismo/missão ou oração/intercessão para cumprir estas ordenanças de Jesus. 

É totalmente compreensível que se espere que um músico produza música, mas o fato dele estar na direção dos cânticos não lhe dá o poder ou obrigação de levar (conduzir) as pessoas à adoração. Jesus é o caminho; é através d'Ele somente. É totalmente compreensivo que alguém que estuda e se forma como evangelista tenha mais facilidade no manejo da palavra, organização de evangelismos em massa e coisas do tipo, mas isto não impede que uma pessoa que não possui tal instrução proclame com paixão e poder o Evangelho do Reino. Assim como o fato de uma pessoa ter uma predisposição à oração/intercessão não a  torna a única responsável pela cobertura espiritual de toda uma congregação através de suas orações e súplicas.

O poder da palavra é libertador; porque, além de trazer a vida do próprio Deus em si, ela traz luz para o entendimento dos que dela aprendem.

Espero que este texto sirva para abençoar sua vida e mudar conceitos errados ou confirmar, ainda mais, aquilo que você já acredita.

 Proponho-lhes um jogo...

Rs... calma! É algo bem simples! Que acham de deixar nos comentários exemplos de rótulos que mudam conteúdos, de acordo com o que foi tratado no texto?

Forte abraço!


Luiz Fernando Pimentel

Luiz Fernando Pimentel

Sou designer freelancer, arranho uns acordes em minhas guitarras e moro em Vitória/ES.

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Matheus Jesus

Muito legal o assunto! Concordo que muitas pessoas, se aproveitam de existir pessoas que tem maior facilidade para o exercício de determinado ministério, que acabam ficando acomodados. Costumo dizer que do jeito que está é como se a igreja estivesse terceirizando cada setor. TODOS FOMOS CHAMADOS! Adorar, evangelizar e interceder, é o mínimo que pode se esperar daqueles que se chamam CRISTÃOS!

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