Rótulos que mudam os conteúdos - Parte 01

13.7.12 |


Há alguns dias publiquei algo no Facebook falando sobre o rótulo de "religioso", que é rejeitado por muitos cristãos protestantes, e nunca vi tantos "likes", por segundo, em toda a vida. Se quiser dar uma olhada no que escrevi, clique aqui.

E como essa coisa de rotular coisas, pessoas, movimentos, etc, é uma tendência que nunca sai da moda, pensei em trazer pra vocês um texto que escrevi em 2010, e que foi citado na série "Ah, é pra Deus!". Como ele é um pouco extenso, resolvi dividi-lo em duas partes! Espero que curtam as minhas ideias malucas! 
Rótulos que mudam os conteúdos - Parte 01 

Antes de falar sobre os rótulos, gostaria de analisar os significados da palavra “rótulo”. Segundo o Dicionário Aurélio, são os seguintes: 


Rótulo 


[Do lat. rotulu, ‘rolo’, ‘cilindro’.] 
Substantivo masculino. 
1. que se cola em embalagens e recipientes para indicar-lhes o conteúdo. 
2. Encad. Retângulo de pele, etc., que se cola na lombada de um livro, e sobre o qual se douram as indicações de autor, título e tomação; tomba. 
3. Fig. Qualificação simplista, geralmente feita através de chavões: O homem consciente não aceita rótulos. 
4. Ralo ou pequena grade que guarnece as portas, janelas, etc. 
5. Inform. Nome arbitrário atribuído a uma variável, rotina, ou outro elemento constituinte de programa (9), e que lhe serve de identificador (3). 
6. Inform. Identificação atribuída a disquete, ou disco rígido. [Cf. rotulo, do v. rotular.] 

Agora que relembramos o significado desta palavra, gostaria de falar sobre o assunto proposto no título deste texto: “Rótulos que mudam os conteúdos”. Em várias situações, rotulamos pessoas e objetos. Se pensarmos no primeiro sentido desta palavra, apontado pelo dicionário, vemos que um rótulo é algo meramente informativo; mas também há o significado contido no terceiro item, que demonstra que rotular é qualificar de acordo com uma qualificação superficial. Possuímos uma palavra com vários significados e que é um grande problema na vida humana; os rótulos nos atrapalham em muitas coisas e vou tratar aqui porque estou afirmando isto.

Acredito que você ainda recorda que na 3ª ou 4ª série do primário, as “tias” ensinaram a bendita Análise Sintática. Antes um pouco, se não me engano, na 1ª ou 2ª série, aprendemos a classificar os números de várias formas. No ensino médio, aprendemos a classificação de solos, rochas, fenômenos naturais, seres vivos e suas partes, etc. Ao longo de nossas vidas, somos levados a fazer classificações de diversas coisas, em diferentes situações.

Trazendo isto pra um contexto cristão, as denominações, por exemplo, são rótulos. Os nomes que damos à instituição religiosa a que estamos ligados é um rótulo, algo que serve para identificar qual linha de pensamento cristão aquela parte da Igreja segue. Um rótulo pode ser a identidade de alguma coisa, mas pode também denegrir e deturpar todo o seu conteúdo.

Imagine se algum atribulado colocar o rótulo da Coca-Cola em um refrigerante de outra marca; você consumiria este líquido, mesmo percebendo que não é o que o rótulo está indicando? Eu posso  afirmar que pessoas que consomem Coca-Cola com frequência identificam seu sabor e cheiro... e podem saber perfeitamente, quando não estão saboreando este famoso líquido. Cocas à parte, receber um rótulo não significa realmente conter o que ele informa. O que impede alguém de colar um adesivo com o texto “Intel Inside”, que indica que há um processador Intel dentro da máquina, num computador com um processador AMD?

Depois deste momento de publicidade gratuita, afirmo pra você que somente conhecendo bem o real conteúdo de alguma coisa é que podemos rotulá-la. E é neste momento que os rótulos podem mudar completamente os conteúdos. Os rótulos denominacionais acabam se tornando a doutrina e definindo o estilo de culto de uma congregação; os nomes que damos a determinados ministérios fazem com que eles sejam limitados a exercerem somente uma função; as classificações que fazemos entre músicas rápidas ou lentas, fazem com que elas sejam de louvor ou adoração, sendo que adoração e louvor são atitudes que não têm nada a ver com música.

Mas que mal há em rotular? O problema é não conhecer o que se rotula. Ter uma ideia formada sobre algo sem um conhecimento profundo a seu respeito é o mesmo que ser uma máquina que cola “pequenos impressos” em recipientes na linha de produção de uma fábrica. 

Vejamos o que normalmente é rotulado e as implicações disso para o seu real conteúdo: 

Louvor e Adoração 

Muitos cristãos compreendem estas duas palavras de forma muito errada; o mais comum é a associação destes termos com estilos musicais. Louvor e adoração são atitudes, antes de qualquer coisa. 

- Você sabia que muitos ícones da música gospel contratam músicos que não são cristãos para produzir ou gravar seus discos e, até mesmo, para acompanhá-los em seus shows? 

- O fato de estar tocando uma canção com letra cristã, torna a atitude de um músico ou cantor em  louvor e adoração? 

Numa situação como esta, fica muito simples compreender que não. O fato de cantarmos não quer dizer que estamos realmente louvando ou adorando a Deus, porque há uma profundidade tão grande nestes atos que nem a música mais perfeita do universo seria capaz de expressar. 

Não estou dizendo que a música não pode ser utilizada para estes propósitos, mas que ela não pode ser considerada a única forma de demonstrá-los. 

A primeira referência feita à música na bíblia está no livro de Gênesis (4.21), que fala a respeito de Jubal, o pai de todos os que tocam harpa e órgão; mas, seis gerações antes da dele, Caim e Abel já expressavam gratidão e amor a Deus através de ofertas voluntárias (GN 4.3,4). 

Louvor e adoração, basicamente, são expressões de amor e gratidão a Deus por tudo aquilo que Ele é e faz. Está muito acima das palavras e dos atos de justiça. É render honra a Deus através da obediência à sua vontade, procurar conhecê-lo profundamente. E o interessante é que nenhuma canção, rápida ou lenta, pode levar alguém a fazer nenhuma destas coisas porque elas acontecem no coração, na alma (DT 6.5) e no entendimento e não simplesmente nos lábios e mãos (IS 29.13). 




Luiz Fernando Pimentel

Luiz Fernando Pimentel

Sou designer freelancer, arranho uns acordes em minhas guitarras e moro em Vitória/ES.

Leia mais textos de Luiz

  • Google Plus
  • SoundCloud
  • Vimeo
  • Youtube
  • Blogger
  • rss

Todos os textos e imagens de JuveMetodistaBLOG são licenciados sob uma Licença Creative Commons. Clique aqui para saber mais sobre isso.
Leia também:
2leep.com
Deixe seu comentário!

Matheus Jesus

Muito legal post! Deus abençoe ae e estou esperando pela continuação.

Postar um comentário

Olá, ficamos felizes com sua visita no JuveMetodista BLOG! Obrigado por ler este post! Aproveite sua visita e deixe um comentário! Forte abraço!

Página Anterior Próxima Página