Post do Leitor #006 | Vou Pescar

27.7.12 |


Por Ronan Valverde Medeiros


Recentemente vi, repetidas vezes, o mesmo texto de Jo 21.15-19 sendo usado em temas diferentes de mensagens. Foram necessárias, pelo menos, três vezes, para que eu pudesse compreender aquilo que Deus queria falar comigo. A mensagem foi tão profunda em meu coração que eu não podia trancafiá-la dentro de mim e não partilhá-la com vocês.

O capítulo 21 de João conta uma história muito peculiar e conhecida de Pedro com Jesus. Pedro passa por um momento muito íntimo com o Mestre; momento a que muitos se referem como o teste de Pedro. Bom, para compreender melhor, eu tive que me por na mente de Pedro, fazendo uma reflexão acerca de tudo que ele tinha vivido, até então, com Jesus. Coloque-se no lugar de Pedro e tente imaginar qual seria a sua própria reação diante da pergunta de Jesus: “Pedro, tu me amas?” (Jo 21.15)

Nós sabemos bem como Pedro era impulsivo, impetuoso e ousado. Várias vezes, vemos essa característica dele como, por exemplo, no episódio em que ele anda sobre as águas com Jesus (Mt 14.28,29); quando ele demonstra também seu discernimento das coisas espirituais, reconhecendo Jesus como O Cristo (Mt 16.16); quando ele arranca a orelha de um soldado romano no episódio da prisão de Jesus (Jo 18.10); ou, ainda, no próprio capítulo 21 de João, quando ele percebe que era Jesus ali, na praia, e se joga ao mar nadando, aproximadamente, 250 metros para encontrá-lo, enquanto todos os outros discípulos navegaram até à margem (Jo 21.7).

Imagino eu que, na primeira vez em que Jesus o interroga - bem como eu o faria se o mestre perguntasse a mim -, Pedro, impulsivamente, responde: “sim, Senhor” (Jo 21.15). Talvez, essa resposta fosse devido a seu ímpeto; talvez tenha sido uma resposta rápida... mas Jesus conhece bem a Pedro e, talvez por isso, Ele insista na mesma pergunta, tornando a fazê-la (v.16). Assim, Ele faz Pedro refletir na validade de sua resposta. Reflita você também. 

Pedro era pescador. Não era alguém instruído em conhecimentos de área alguma, exceto na sua profissão. Mas seu encontro com o Mestre abre-lhe uma perspectiva de mudança de vida, de conceitos e muito mais do que ele poderia prever em um futuro bem sucedido, visto que Aquele que o chamou para ser um “pescador de homens”, o tinha tornado seu discípulo. Pedro passou três anos se relacionando, aprendendo e convivendo dia e noite com o mestre dos mestres. Um grande número das passagens bíblicas que relatam o ministério de Jesus, citam três discípulos: Pedro, Tiago e João. Não é preciso argumentar muito para imaginar os laços de amizade que esses homens desenvolveram. Talvez, diante desses pensamentos, é que Pedro reafirma a Jesus: “Sim, Senhor. Eu o amo”.

No entanto, o que parece é que Jesus não está satisfeito com a resposta de Pedro e repete a pergunta(v.17). Por quê? Essa pergunta, possivelmente, veio à mente de Pedro. O texto bíblico diz que Pedro se entristece ao ouvir a pergunta pela terceira vez. Eu consigo imaginar o motivo. Uma semana atrás, Pedro, por três vezes, negou a Cristo publicamente. Agora, Jesus perguntava, pela terceira vez, diante de muitos outros discípulos: “Pedro, tu me amas?”. A intenção de Jesus não era humilhá-lo ou fazê-lo remoer seus erros. Ele sequer duvida do amor que Pedro sente por Ele. Prova disso é que, desde a primeira resposta de Pedro, Jesus replica a seu discípulo: “Apascenta as minhas ovelhas”. O que Jesus queria era ensinar a Pedro algo que mudaria sua vida dali em diante. Algo importante para entender isso está na palavra amor que Jesus usa e que Pedro também utiliza nas respostas. As perguntas de Jesus são com a palavra ágape (o amor incondicional, sem reservas...). Pedro responde phileo (o amor fraterno, que um irmão sente pelo outro).

Talvez, como Pedro, você tenha certeza de que ama a Jesus. E talvez saiba até o porquê disso. “Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). O que talvez você não saiba é como devemos amá-lo.

Essa foi a lição que o discípulo aprendeu neste episódio. E foi isso que ele entendeu ao ouvir, pela terceira vez, a indagação de Cristo. Ele tinha certeza de seu amor pelo Mestre. Mas fazia isso errado. Prova disso, foi negá-lo. Mas o mais interessante desta passagem está nas palavras de Jesus ao ouvir as respostas de Pedro: Apascenta as minhas ovelhas. Jesus queria que Pedro transformasse seu amor em atitudes, cumprindo a missão que lhe foi proposta. Jesus, agora, entregava-lhe a missão de finalizar sua obra. Essas palavras, “apascenta as minhas ovelhas”, naquele contexto, significavam que Jesus não estaria mais ali, presente, com eles. O contexto era o mesmo em que Pedro viu o Mestre pela primeira vez e este o chamou para ser “pescador de homens”, na ocasião da pesca maravilhosa (Lc 5.1-11). Agora, instantes antes desse momento citado nos versículos 15, 16 e 17 de João 21, um episódio idêntico à pesca maravilhosa se repetia (Jo 21.1-14), concluindo o período de convivência de Pedro e Jesus. Tudo isso, fez o coração de Pedro se entristecer.

Uma lição dura. Aprendida por erros e acertos. Mas que transformaria a forma com que Pedro viveria dali em diante. A próxima aparição de Pedro na bíblia nos revela a mudança e a grande responsabilidade que a ele foi incumbida. A pregação de Pedro salva, pelo menos, 3 mil pessoas (At 2.14-36).

Talvez, todos nós precisemos entender essa lição. Devemos transformar nosso amor por Cristo em atitudes, como Pedro o fez, até a sua própria morte, que também provava seu amor.

Para encerrar convido a reler o capítulo 21 do evangelho de João e depois ouvir esta música que eu já conhecia, mas só fui entender depois de meditar nestes textos. Para minha surpresa, descobri que o autor desta música (Stênio Marcius) na verdade fez um “inception” em minha mente na interpretação de João Alexandre. 


Post enviado pelo leitor: Ronan Valverde Medeiros


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