Trinta moedas de prata

10.4.12 |


Há alguns anos toquei em uma banda que tinha uma razoável quantidade de músicas próprias. Uma delas falava sobre a traição de Judas e suas particularidades. Creio que, para muitos, é inevitável se deparar com esta passagem da Bíblia, sem sentir um pouco de raiva deste cidadão. Fica claro que, como Jesus não atendeu à demanda de liderança de Judas, o mesmo mandou matá-lo. Para mim, foi difícil entender isto tudo durante muito tempo.

Baseado nisto, quero enfatizar duas vertentes que me fizeram entender melhor o sacrifício de Cristo. A primeira é de que o sacrifício já estava predito desde o profeta Isaías, o que me faz entender que Jesus sabia das implicações do final do seu ministério, antes de assumi-lo. 

O que talvez Cristo não soubesse é que este sacrifício seria desprezado a todo tempo por muitos que se dizem seguidores dele, até os dias de hoje. Eis a segunda vertente, na qual me incluo. Quantas vezes já traímos a Jesus por valores muito menores do que as trinta moedas de prata? Não é possível fazer uma correção monetária para saber qual o valor atual destas moedas, mas a Bíblia diz, em MT 27.1-10, que após o suicídio de Judas estas moedas foram usadas para comprar o campo do oleiro que serviria de cemitério para estrangeiros. Ou seja, serviram para comprar um terreno, o que me faz entender que era uma boa quantia. 

A queixa que paira aqui é de que a traição a Cristo se repete de muitas formas (e que a mesma sirva de alerta e não de acusação). Muitos de nós já traímos a Jesus quando gastamos tempo com programações televisivas de cunho sensual ou de duplo sentido; filmes cuja história não traz edificação nenhuma e nos deixam até mal no fim de assisti-los; conteúdos da internet que trazem baixarias ou até conteúdos pornográficos; músicas que, por mais bem produzidas que sejam, têm, na sua letra, fortes negativas e difamações à palavra e à pessoa de Deus; quando sabemos de cor todas as personagens das sagas e trilogias da ficção, mas não sabemos localizar na Bíblia os livros de Amós, Ageu ou Filemon.

A traição a Cristo, hoje, é muito mais sucinta e diplomática; ela não se torna pública a ponto do mundo inteiro saber, e, em muitas, o traidor sabe que está traindo e repete a traição por inúmeras vezes. Não sou panfletário a ponto de dizer que devemos nos abster dos entretenimentos seculares. Eu daria um tiro no pé, pois também o faço. O que digo é que devemos ter parcimônia e critério no envolvimento com eles. Não querendo justificar a Judas, mas o mesmo negou a Cristo por uma boa quantia, mas o seu arrependimento redundou no seu remorso e suicídio; nós acabamos fazemos isto por tão pouco e ainda nos damos o trabalho de ficar ponderando, ou, como diria João Alexandre acerca de Pedro, ficamos com “a lembrança de tê-Lo negado por nada”.

Deixo aqui o refrão da música que mencionei no início:

“Perdão, Senhor , perdão, pois os Judas desta geração 
Não cumprem a missão e envergonham o nome de cristão 
Perdão, Senhor, perdão, pois me desfiz da Tua paixão. 
Te clamo em oração, com Teu sangue lave minhas mãos.”


Eliézer Gomes

Eliézer Gomes

Publicitário, casado, músico por hobby, ministro de louvor, apaixonado pela escrita e agora, tentando ser blogueiro.

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