Inspiração

20.4.12 |

Hoje minha inspiração saiu da minha fonte nata de inspirações. Indiscutivelmente, meu gosto por livros, literatura, escrita, diários, poemas, veio de duas mulheres: minha avó e minha mãe. Minha infância foi marcada por ver vovó Zélia lendo e me indicando livros (uns dos primeiros que li foi ela quem me indicou: Éramos Seis), e também pela ‘coleção’ de livros que minha mãe tinha (e ainda tem) e me emprestava para ler. Sempre fui uma pessoa muito curiosa- e claro que, quando criança, era ainda mais- vivia ‘fuçando’ as coisas das duas. Na casa de ‘vó’, sentava no chão da sala ou do quarto dela e passava horas e horas lendo seus poemas, sonetos e paródias. A mesma coisa na minha casa; quando mamãe saía, aproveitava para fuçar o armário dela e ler seus diários, escritos e poesias (é, acho que ela lerá isso e não ficará feliz, rs). Minha curiosidade me ajudou a ter uma infância, adolescência e, agora, uma vida adulta, banhada de letras, canções, histórias e cultura. SIM, cultura...mamãe e vovó são minhas maiores fontes de cultura!

Esta semana todas essas lembranças da minha infância, da convivência com as duas, vieram de uma só vez na minha cabeça ao ler umas palavras da minha mãe para a mãe dela. Palavras simples, sem muitas coisas difíceis e cheias de “teretetê”, que a “poetisa Lisieux” (minha mãe) às vezes usa para seus poemas. Palavras cheias de sentimento e de verdade. Vou partilhar com vocês:

“DIVAGAÇÕES...

Ontem, conversando com minha mãe, ela me disse:

-“Eu estou pensando em como eu vou morrer. Não tenho medo de morrer, mas fico pensando em como será... e acho isso muito estranho”.

Ah, mãe! Estranho e assustador é imaginar a vida sem você, sem seus conselhos, sem a sua preocupação, sem sua poesia, sem suas broncas, sem as suas pequenas implicâncias... sem suas lembranças e causos do passado.

Estranho é pensar que você, um dia, vai embora. O como é o de menos. Quase inaceitável é o FATO de ter de acontecer. 

Em maio, você completa 88 anos. “É muito!”... muitos dirão. Mas, não é muito não. É quase nada de tempo e este tempo ainda voou. Amores, alegrias, perdas e danos, netos... e sonhos em forma de poesia...tudo passou tão rápido!

E ver você assim, debilitada, apagadinha... é tão inconcebível e irreal. 

E eu fico pensando: De onde sairá a minha poesia, quando você se for? Se a fonte dos meus sonetos foram os seus versos, se conjugar o verbo intransitivo amar, foi aprendido com você? Se a gana de não me conformar com a vida e lutar só têm sentido se vejo a vida através dos seus olhos, das paródias políticas, das serenatas diamantinenses do incondicional amor azul e branco pelo nosso Cruzeiro?

Viver ficará tão difícil sem você, mãe!

Portanto, aguente-se aqui no planetinha azul, ainda mais um pouco. Talvez até o seu centenário... talvez até eu ir primeiro... talvez até que se passem mil janeiros e a morte possa ser compreendida e aceita... talvez... talvez pra sempre. 

Porque mães deveriam mesmo ser eternas.

Lisieux, BH- 16.04.12”

Bom, é isso aí. Tentei mesmo, de diversas formas, escrever algo bem bacana a respeito do mesmo assunto que minha mãe tratou. Faltaram-me palavras...Faltaram PALAVRAS, não INSPIRAÇÃO. Inspiração eu sempre tive e sempre terei...enquanto ainda existir em mim resquícios de memória e lembranças das minhas principais fontes: vovó e mamãe.


Anna

Anna Elisa Souza (Lili)

Sou mais conhecida como Lili. Formada em Jornalismo pela PUC Minas e apaixonada por leitura e escrita desde criança.

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2 comentários

Anônimo

Que lindooooo amo que amo

lisieux

obrigada, obrigada... sei que sou o máximo, mas é bom ver vc reconhecer... hehehe
Nada, filhota... vc tá se saindo melhor que a encomenda... bjokas

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