Uma Noite em 67 Parte 1: Uma noite de vaias

1.3.12 |


Em busca de um bom referencial para falar de música popular brasileira, recordei-me de um documentário riquíssimo, direção de Renato Terra e Renato Calil, que outrora havia assistido. Ele trata especificamente de um festival de música popular brasileira que a TV Record produzia, o qual sintetiza vários aspectos dessa arte na década de 60. O documentário se chama “Uma Noite em 67” e pode ser encontrado, na íntegra, nos “4shared da vida”, e eu recomendo muito que assistam. Como o nome sugere, o festival em questão ocorreu no ano de 1967. Baseando-me na sequência de assuntos que nele é tratado, discutirei um pouco, como citado acima, sobre os aspectos de nossa música popular.

Este foi o 3º Festival da Música Popular Brasileira organizado pela Tv Record e dá pra desconfiar que tenha sido especial em relação aos outros, ao ponto de ganhar um documentário só para ele. Em depoimento, o diretor da Tv Record, Paulinho Machado de Carvalho, confessou que organizava os festivais pensando em espetáculos de luta livre, escolhia os cantores comparando-os com personagens como o “vilão”, o “mocinho”, o “pai da moça”, entre outros. Um fato interessante é que a plateia, com sua participação ativa e vibrante, tornou-se também uma personagem da história; esse fato é evidente nas imagens gravadas. 

Com o tempo e a sequência de festivais ocorridos, passou-se a utilizar o termo “música de festival” – canção que cativa a plateia na primeira escuta. Os compositores compunham já pensando na aprovação do público. Isso, de certa forma, criou um estilo diferenciado de canção. Quando algum compositor, por ousadia, tentava fugir desse padrão, certamente era vaiado.

Houve um caso absurdo no festival de 67. O cantor e compositor “Sérgio Ricardo” apresentou sua canção “Beto Bom de Bola”, com um arranjo inteiramente modificado, desconhecido pelo público. No momento em que o apresentador dá essa notícia, a plateia vai ao delírio, vaiando-o sem cessar. Sérgio Ricardo perde completamente a cabeça, canta totalmente “semitonado” e faz um show à parte. Vale muito a pena conferir abaixo:



rs, deu a louca no Sérgio, que, com essa atitude, foi desclassificado do festival.

Outro acontecimento interessante ocorreu com “Roberto Carlos”. Como tudo era manipulado, “obrigaram-no” a cantar um samba, “Maria, Carnaval e Cinzas de Luiz Carlos Paraná”. O público estava acostumado a ouvir Roberto cantando “Jovem Guarda”. No que isso deu? Vaias, muitas vaias... havia uma torcida organizada contra ele. Mas Roberto não é “rei” à toa. O cara, elegantemente, venceu a plateia, sendo ovacionado como se deve ser e conseguindo o modesto quinto lugar. Confiram:




Você pode notar que a plateia era muito envolvida, mas, ao mesmo tempo, muito chata! Ora aplaudindo, ora vaiando, sempre protestando. Há uma explicação óbvia para esse fenômeno: a década de 60 era década de “ditadura”, de repressão; não podia se pensar no Brasil, muito menos protestar, inclusive, muitos dos artistas, que serão citados no decorrer dessa série, foram presos e até exilados devido a isso. Esses festivais eram uma forma dessa massa soltar toda raiva que estava oprimida... e os “Sérgios Ricardos” da vida que se virassem.

Segundo palavras do realizador do festival, Solano Ribeiro: “O festival nada mais era que um programa de TV”. “Ele adquiriu uma importância histórica, política, sociológica, musical e transcendental”.

Nos próximos posts continuarei a falar sobre esse período e artistas da música brasileira. Espero muito que curtam!

Abraço.


Vinícius Rodrigues

Vinícius Rodrigues

Músico, guitarrista/violonista. Licenciando em Música. Maníaco por Jazz e música brasileira.

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4 comentários

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Pode dizer aí meu bom ,que tú assiatiste em minha aula,ou não????

Vinícius Rodrigues

Isso mesmo professor! devidamente assistido em sua aula! abraços

Anna Elisa

Amei Vinícius! Parabéns pelo texto!

Vinícius Rodrigues

Obrigado LiLi ;)

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