Música Sacra Luterana

21.3.12 |


É bem interessante para nós protestantes da atualidade conhecer um pouco sobre os primórdios também da música sacra protestante, uma vez que é uma modalidade de trabalho que é utilizado em qualquer momento cúltico: prelúdio, confissão, louvor, ofertório, comunhão, sacramentos, dedicação, batismos e algumas vezes de plano de fundo enquanto alguém fala ou prega. Nada melhor do que ler um pouco sobre a música na primeira instituição protestante, a Luterana. Apesar de tratar um assunto antigo, o texto se mostra bem atual quanto às ideologias como de partidos existentes na comunidade cristã de hoje. Ver-se-á também que a extravagância e sentimentalismo exacerbado em canções não são características somente da nossa era musical cristã dos que se dizem avivados, como os petistas tratados no texto. Além de tudo um pouco sobre primórdios música congregacional, o estilo, e sua primeira finalidade, que não era ser congregacional.

Segue abaixo um aperitivo para conhecer um pouco mais sobre nós mesmos no quesito Música.

“O período compreendido entre 1650 e 1750 foi a idade de ouro da música sacra luterana. Depois dos estragos causados pela guerra dos Trinta Anos, as instituições eclesiásticas dos territórios luteranos da Alemanha foram rapidamente restauradas. A atividade de composição musical sofreu a influência de duas tendências opostas dentro da Igreja. O partido ortodoxo, fiel ao dogma estabelecido e às formas institucionais e públicas do culto, favorecia o uso, nos serviços religiosos, de todos os recursos disponíveis da música coral e instrumental. Oposto à ortodoxia era o movimento amplamente difundido conhecido como pietismo, que colocava a ênfase na liberdade do crente individual; os petistas desconfiavam do formalismo e da grande arte no domínio do culto e preferiam uma música de caráter mais simples, exprimindo os sentimentos pessoais de devoção.

| CORAIS | 

A herança musical comum de todos os compositores luteranos era o coral, que remontava aos primeiros tempos da Reforma. Acrescento notável ao número de corais já existentes foram os hinos de Paul Geerhardt (1607-1676), escritos em meados do século XVII. Muitos dos textos de Gerhardt foram musicados por Johann Crüger, de Berlim (1598-1662). Crüger reviu e publicou em 1647 uma coletânea intitulada Praxis pietalis mélica (Prática da Piedade na Canção), que se tornou o cancioneiro luterano mais influente da segunda metade do século. As canções da Praxis pietalis mélica e dos seis muitos sucessores, incluindo a importante coletânea de Freyling-Hausen de 1704, não se destinavam originalmente a se cantadas pela congregação, mas sim à execução doméstica; só muito gradualmente é que estas novas melodias foram sendo introduzidas nos hinários oficiais do século XVIII. Entretanto, a prática cada vez mais corrente do canto congregacional de corais com acompanhamento de órgão fomentou a produção de composições num novo estilo, onde as antigas irregularidades métricas se foram gradualmente atenuando, dando lugar a um movimento uniforme de notas iguais, com o fim de cada frase assinalado por uma fermata – em suma, o tipo de coral com que nos familiriarizaram as obras de J. S. Bach.

O enorme incremento da produção de canções religiosas na segunda metade do século XVII foi acompanhado por um declínio geral da qualidade musical e poética. Muitos dos textos petistas exprimiam atitudes religiosas egocêntricas e sentimentais numa linguagem extravagante emotiva, enquanto as tentativas para conferir à musica um caráter simples e popular muitas vezes resultavam apenas também em mediocridade. Só depois de 1700 é que as correntes opostas do pietismo e da ortodoxia conseguiram chegar a uma união benéfica para ambas. Entretanto, a evolução musical relevante teve lugar nos centros ortodoxos, onde o ambiente era favorável e os recursos materiais adequados à manutenção de um alto nível artístico.”

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