Música Sacra Anglicana.

7.3.12 |


As formas principais da música sacra anglicana a seguir à restauração da monarquia inglesa continuaram a ser as mesmas da primeira metade do século (XVII), ou seja, hinos e serviços. Entre os muitos compositores ingleses de música sacra foram John Blow e Henry Purcell os que mais se destacaram. Como Carlos II dava preferência ao canto solístico com acompanhamento orquestral, foram produzidos muitos hinos do tipo designado por verse anthem (estilo de hino que alterna entre seções para uma voz solo e o coro completo), como Hear O Heav’ns (NAWM 88), de Pelham Humphrey (1647-1674)
| NAWM 88 – Pelham Humphrey, verse anthem: Hear O Heav’ns |

Este hino combina uma harmonia marcadamente inglesa com influências do continente, onde Pelham passou três anos (1664-1667), em França e Itália. As linhas solísticas são escritas numa espécie de recitativo medido francês aplicado a um estilo extremamente retórico, cheio de apoggiaturas suspirantes e de cromatismos plangentes. Este aspecto conjuga-se com a predilecção inglesa pelos intervalos aumentados e diminuídos utilizados melodicamente, em falsas relações, e na harmonia. O resultado é um estilo ricamente expressivo.

Os hinos para as cerimónias de coroação eram, como seria de esperar, obras especialmente elaboradas; disso são exemplo My Heart is Inditing (O Meu Coração Compõe), de Purcell, ou o esplêndido hino de coroação de Blow. Não foram poucos os compositores de verse anthems da restauração inglesa que acabaram por cair numa certa trivialidade com as suas tentativas de arremedarem os atractivos da música teatral. Em contrapartida, manteve-se um nível mais homogêneo de excelência musical nos menos pretenciosos hinos catedralícios ou plenos full anthems) para coro sem solistas, de que temos um belo exemplo na obra mais antiga, a quatro vozes, de Purcell, Thou Knowest, Lord, The Secrets of Our Hearts (Vós conheceis, Senhor, os segredos dos nossos corações), hino para o funeral da rainha Mary II, filha do último monarca Católico das ilhas britânicas, James II e VII. Encontramos alguma melhor música sacra de Purcell nas suas composições sobre textos não litúrgicos, peças para uma ou mais vozes solistas, geralmente num estilo arioso rapsódico com acompanhamento de contínuo (baixo contínuo), manifestamente destinadas a um uso religioso privado.

Ouça os exemplos abaixo e assimile a textura sonora, o estilo da época por mais que seja estranho ter contato com essas obras. Vale a pena conhecer. E em breve mais sobre Música Sacra do final do século XVII nos próximos posts!

FONTE: História da Música Ocidental, GROUT, Donald J. e PALISCA Claude V. - Editora Gradiva. Lisboa, 2007.

Para experimentar:

Purcell, My Heart is Inditing:



Purcell, Thou Knowest, Lord, the Secrets of Our Heart:



John Blow, O Pray for the Peace of Jerusalem:

Pelham Humphrey, By the Waters of Babylon:



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