Música para músicos

16.2.12 |


Estamos próximos do Carnaval e sabemos que nessa época há muitas festas regadas de música, axé em sua maioria, e outros hits mais... Conheço muitos músicos que trabalham nos “trios”, pois a demanda nesse período é muito grande. Devido ao excesso de horas consecutivas de show e as músicas que, em sua maioria, não passam de passatempo para a orgia nacional, a maioria desses músicos aceitam esse trabalho por necessidade financeira, longe de ser por amor à arte. Até então eu nunca vi o contrário, e, confesso, se algum dia eu precisar, topo o “cachê” numa boa.

Isso me faz refletir sobre o papel do músico “popular” na sociedade brasileira atual. Até quando “bons” músicos vão precisar “vender” sua “mão de obra” a esses eventos para sobreviver? Esses músicos que trabalham no carnaval têm espaço na mídia para divulgar seus trabalhos individuais? Pensando nessas questões me veio à mente a história do “Jazz”. Será que tem algo a ver?
Meu intuito aqui não é fazer um texto de cunho histórico, mas apenas um breve apanhado dos primórdios do jazz e me ater especificamente no estilo “Bebop”, no qual encontro uma semelhança com o problema supracitado.

Podemos considerar o ano de 1900 como o palco do surgimento do jazz como forma musical reconhecível. Antes disso vem o que chamamos de “pré-história do jazz”, que abrange a “música gospel”, o “blues”, os “work songs”, entre outros. A partir da década em questão, o Jazz passou por várias transformações estilísticas. Como dito acima, não vou dissertar sobre todas elas, saltarei para o surgimento dos “Boppers”.

A comercialização do jazz tornou o seu repertório basicamente versões jazzísticas da música popular Norte Americana do momento, a “balada”. Escolhia-se de uma massa de hits atuais algumas canções e delas elaboravam suas versões, resultando no que chamamos hoje de “Standards”. Isso muito revoltava os músicos de jazz da época, era um trabalho um tanto desagradável, que faziam senão para se sustentar. Na década de 40, esses músicos tomaram uma decisão que fez total diferença em sua música, criaram as “Jam Sessions” – sessão musical que acontecia após o expediente de trabalho das bandas que tocavam esses Standards, na qual os músicos agora não mais tocavam para um público especifico, mas sim para si mesmo. Faziam música para músicos. Daí surge o estilo “Bebop”, do qual os primeiros revolucionários foram: “Gillespie”; Kenny Clarke; Charlie Christian; Charlie Parker, entre outros.

A característica mais marcante dos “Boppers”- músicos que tocam bebop – é o virtuosismo, faziam coisas nos seus instrumentos que poucos conseguiam acompanhar. Quem se arriscasse a entrar nesse mundo tinha que estar preparado, pois era algo mais ou menos do tipo “chegar e tocar”, e não era qualquer coisa que tocavam lá (rs). Por que eu ri? Por que era/é coisa de louco, as melodias criadas já eram dificílimas e obrigatoriamente deveriam ser tocadas a 230 bpm ou mais, ou seja, MUITO rápido mesmo! E improvisar fluentemente na mesma onda.

Deixo um exemplo que considero o mais clássico “bebop”, “Donna Lee” de “Miles Davis” interpretada por “Charlie Parker” no Sax alto, o próprio “Miles” no Trumpet, “Bud Powell” no piano, “Tommy Potter” no baixo e “Max Roach” na bateria.





E outro, uma “tentativa” minha




Espero que gostem, Abraços.


Vinícius Rodrigues

Vinícius Rodrigues

Músico, guitarrista/violonista. Licenciando em Música. Maníaco por Jazz e música brasileira.

Leia mais textos de Vinícius

  • SoundCloud
  • Youtube
  • rss

Todos os textos e imagens de JuveMetodistaBLOG são licenciados sob uma Licença Creative Commons. Clique aqui para saber mais sobre isso.
Leia também:
2leep.com
Deixe seu comentário!

Postar um comentário

Olá, ficamos felizes com sua visita no JuveMetodista BLOG! Obrigado por ler este post! Aproveite sua visita e deixe um comentário! Forte abraço!

Página Anterior Próxima Página