Profissionalismo, você tem?

19.1.12 |


Este texto tratará especificamente de um assunto do interesse de músicos “praticantes” de igrejas, ou até mesmo de músicos no geral. Isto não impede de você, que não se enquadra em nenhuma das duas opções, de lê-lo, pois poderá se identificar de alguma forma e, até mesmo, contribuir com questionamentos. Tratarei de alguns aspectos que se fazem essenciais para uma boa produção musical. As conclusões que serão mostradas aqui são frutos de convivência, direta e indireta, com mestres e mestras da área, que muito têm contribuído para minha formação. Espero conseguir passá-las de maneira clara.


O primeiro passo é distinguir a diferença entre Músico Profissional e Músico Amador. É simples; só há um pequeno detalhe que os diferenciam, que é o fato de um receber cachê para tocar ou cantar e o outro não, respectivamente.

Há uma consideração a ser feita: você, que é apenas músico na sua igreja e não ganha nenhum centavo em troca, obviamente está incluído na classe dos amadores, mas isso não faz você nem um pouco menos importante que um profissional e, muito menos, sem obrigações de um profissional. Se pensarmos em termos de nível técnico, há vários amadores; e os que fazem por onde, muito melhores que profissionais. Mas, normalmente, é o inverso que prevalece, pois, na maioria dos casos, são os profissionais que se dedicam de verdade. 

Não deveria ser assim. Partindo do princípio que quem toca/canta na igreja, toca/canta para louvar a Deus, esses deveriam ser os melhores. Deus merece a melhor música desse mundo como adoração, não é óbvio? Mas, infelizmente, não é o que acontece. Há uma predominância de falta de responsabilidade nas igrejas, de falta de profissionalismo – no sentido de organização. Citarei alguns casos e sugestões abaixo. Acredito que ai, na sua igreja, eles não acontecem.

- O mais clássico de todos é o atraso aos compromissos. No ensaio se chega mais cedo, tempo suficiente para organizar seus equipamentos e estar totalmente pronto no horário marcado. 

- Música se tira em “casa” e não no ensaio! Você, líder, seja organizado; forneça, com uma semana de antecedência, no mínimo, áudios, cifras, partituras, vídeos, referentes à música a ser aprendida. E você, músico, chegue ao ensaio com tudo assimilado. Caso haja dúvidas, anote-as e as exponha.

- Brincadeiras são muito bem vindas, mas não deixe que venham a ser o foco das reuniões e diminuir o tempo de rendimento.

- Baterista, você é O/A cara da banda; se você errar, a banda inteira erra. Sabe o que é “Metronomo”? Pois bem, se não sabe, procure saber... ontem! Se souber, de agora em diante, durma com ele, acorde com ele, almoce com ele, trabalhe com ele e, principalmente, ESTUDE SEU INSTRUMENTO COM ELE! Como é de se esperar, pois é uma realidade da grande maioria dos templos, a acústica da sua igreja deve ser péssima, projetada por alguém que não entende disso; por isso, você deve estar cansado de ouvir que toca alto pra caramba! Sinto lhe dizer, a solução é maneirar na mão mesmo e torcer para que sua igreja invista e compre uma bateria com peças pequenas.

- Contrabaixista, depois do baterista você exerce o papel mais importante da “gig”. E sua função é, nada mais e nada menos, que MARCAÇÃO! Se você é daqueles baixistas que necessitam ficar jogando frases ao acaso o tempo inteiro, mude de instrumento, migre para o saxofone ou guitarra. Tire um bom som do seu instrumento, tenha um bom “Groove”.

- Violonista e Guitarrista, é... vocês são problemáticos! Faço parte dessa raça. Considero os instrumentos mais versáteis, pois se pode fazer base, solos, melodias, contra-melodias, efeitos etc... Saiba como e quando usar tais artifícios; tome cuidado com o volume! Toque com o volume médio e aumente apenas nos solos. Atente ao seu timbre; ele faz toda a diferença, se for bem regulado.

- Tecladista, você tem milhares de efeitos no seu instrumento. Tenha bom gosto! Dialogue com os outros instrumentos harmônicos e tome cuidado para não sujar a base rítmica. Na dúvida, opte por um timbre de cordas e deixe a rítmica com violão e guitarra.

- Cantores, cantem, não gritem! Sejam afinados, óbvio; saibam as letras de cor e, se possível, estudem um instrumento harmônico – violão ou teclado, por exemplo.

- Instrumentistas de instrumentos melódicos em geral, pelo amor do Pai do Céu, afinem seus instrumentos! Eles não vêm afinados de fábrica! Se estiver lendo uma partitura, toque o que está escrito; improvise apenas na hora do seu solo.

Todo e qualquer músico, estude! Estude e Estude! Você tem que ser capaz de ter tempo diário para isso. Escute boa música e seja o mais profissional possível. Tenha sempre o desejo de ser o melhor no que faz, mesmo sabendo que será impossível... mas tente! Tenha a consciência de que é um artista - um produtor de arte - faça-a com excelência. 

São essas poucas considerações que faço até o presente momento. Espero que seja útil. E fique à vontade para questionamentos e sugestões. 

Forte Abraço.


Vinícius Rodrigues

Vinícius Rodrigues

Músico, guitarrista/violonista. Licenciando em Música. Maníaco por Jazz e música brasileira.

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