Hinologia Cristã, um movimento [o 1º hinário no Brasil]

25.1.12 |


Pra compreendermos a existência do primeiro hinário protestante no Brasil, é necessário entender a chegada dos primeiros protestantes ao nosso país, oriundos do Metodismo americano.

O metodismo no Brasil se dá por consequência do Norte Americano, que teve sua organização denominacional feita, basicamente, pelo seguinte motivo (politicamente falando): “A falta de uma estrutura eclesiástica própria, que gerava a dependência de ministros anglicanos para a ministração dos sacramentos, foi razão suficiente para a organização do movimento metodista como igreja independente” (SILVA, Gercymar Wellington Lima e. Caminhos e Descaminhos da Graça).

Concluindo a assinatura do tratado de Paz de Paris, em 1783, John Wesley designou Asbury como seu “assistente geral para a América”. Mas porque John tinha voltado para a Inglaterra, os Metodistas da América do Norte tiveram frustradas suas expectativas de obter ajuda de John quanto à ordenação de pastores na América.

As igrejas Metodista, consequentemente formadas no Sul e no Norte dos Estados Unidos, tiveram o mesmo cisma do plano político. Surgiram, assim, a Igreja Metodista Episcopal do Sul (IMES) e Igreja Metodista Episcopal do Norte. No entanto, o metodismo Estadunidense vive ainda hoje.

Mas vir para Brasil foi complicado, já que o Catolicismo era a religião oficial. Porém, uma fresta foi aberta por causa do acordo comercial, Tratado de Comércio e Navegação, que Portugal fez com a Inglaterra; foi liberado o culto protestante em terras brasileiras devido ao grande número de pessoas que chegavam aqui no Brasil, da Inglaterra. O culto protestante Anglicano, embora permitido, não tinha trabalhos missionários. Era um trabalho de assistência religiosa aos imigrantes aqui instalados.

“Em 1836, foi enviado o missionário Justin Spaulding para o estabelecimento da missão no país. Logo que chegou, Spaulding organizou uma congregação no Rio de Janeiro, capital do Império, com cerca de 40 pessoas. Muitos outros missionários foram enviados ao Brasil pela Igreja Metodista Episcopal – EUA para ajudar Spaulding. Dentre eles o casal Cyntia e Daniel Kidder” (SILVA, Gercymar Wellington Lima e. Caminhos e Descaminhos da Graça).

Ocuparam-se, inicialmente, com uma escola diurna para crianças brasileiras e estrangeiras aberta na Rua do Catete. A missão cristã Metodista no Brasil foi intensificada e a instalação se deu também por ajuda da elite política, por exemplo, a de imigrantes que foram para Santa Bárbara D’Oeste, na região de Piracicaba. A instalação maior de imigrantes franceses, ingleses, holandeses, alemães, entre outros, fizeram o protestantismo e a cultura anglo-saxônica ganhar certa força. Era admirável sua cultura aos olhos dos brasileiros. Aqui no Brasil os imigrantes Metodistas dos Estados Unidos faziam acontecer a educação regular protestante, entendendo que esta educação seria responsável pelo desenvolvimento sócio-cultural da América do Norte.

Houve um investimento grande das denominações Metodistas Norte Americanas aqui no Brasil, e acabava pendendo para a cultura religiosa americana, com tendência em se manter como contracultura em solo brasileiro, fazendo com que o movimento ficasse fora do compasso com a cultura brasileira distanciando-se das lutas sociais do povo.

Em 1886, a missão metodista no Brasil organizava a primeira Conferência Anual da Igreja Metodista, com a finalidade de legalizar o registro dos bens móveis e imóveis da missão, até então, em nome do missionário Ransom. Com o advento da República, em 1889, a missão Metodista brasileira alcançou reconhecimento do governo, passando a figurar como Associação da Igreja Metodista. Os anos posteriores a 1889 foram marcados pela era republicana brasileira, pelo crescimento e amadurecimento do protestantismo brasileiro. O Metodismo reforçava sua ênfase no binômio evangelização-educação, fórmula da fé civilizatória. Estabelecida a Associação Metodista do Brasil, em todas as regiões do Brasil pelas igrejas norte americanas, o Metodismo criou raízes no Brasil.

O protestantismo no Brasil, com o trabalho de Robert R. Kalley e de Ashbel G. Simonton, passou a ir de encontro ao catolicismo romano. Torna-se evidência disso a unidade teológica do protestantismo brasileiro, com a utilização de uma única coleção de hinos para culto cristão protestante em português: o hinário Salmos e Hinos, editado por Robert e Sara Kalley. Este ensaio analisa a inserção e o desenvolvimento do Salmos e Hinos, primeiro hinário protestante disponibilizado no vernáculo, ainda no Brasil Império. Seu pioneirismo, bem como sua interessante forma de distribuição, a colportagem, possibilitou que esta obra se tornasse conhecida e fosse utilizada pelas diversas missões que se instalaram no país a partir da metade do século XIX. A forma didática da compilação dos hinos da missionária inglesa Sarah Poulton Kalley, transformou este hinário num verdadeiro manual de culto, com presença constante na gênese dos diversos protestantismos de missão no Brasil. Para Sarah os hinos eram mensagens cantadas, elaborando a partir deste conceito, letras de interessante conteúdo teológico.

Pulando datas até 1945, a Confederação Evangélica do Brasil publica o Hinário Evangélico que, de 232 hinos da primeira edição, chegou a 500 nas útimas, a partir de 1977. A base do Hinário Evangélico é o hinário Salmos e Hinos. A Igreja Metodista o adota para sua liturgia cúltica.

A Comissão que criou o Hinário Evangélico tinha como principal objetivo melhorar a poética e gramática dos hinos e notam-se nele alguns pontos positivos, quanto à sua distribuição litúrgica: a redução do número de estrofes, na maioria dos hinos cujo cântico congregacional muito longo tornava-se monótono e desviava o ritmo litúrgico; traz um índice dos hinos pela natureza dos assuntos; 57 antífonas para leituras bíblicas responsivas, até mesmo para dias especiais para o ano litúrgico. A edição do Hinário Evangélico pela Igreja Metodista ainda tem instruções para o culto, modelos de ordem de culto, orações, etc.

“De qualquer maneira, o Hinário Evangélico praticamente pertence ao passado. Não conseguiu permanência nas igrejas e mesmo a única que o adotou oficialmente, a Igreja Metodista, já se movimenta para substituí-lo.” (MENDONÇA, Antônio Gouveia e FILHO, Prócoro Velásques. Introdução ao Protestantismo)

Este artigo faz parte da série "Hinologia Cristã, um movimento", leia os artigos anteriores: Parte 01, Parte 02, Parte 03.

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