Hinologia Cristã, um movimento [Intro]

11.1.12 |


“Vamos nos colocar em pé para cantarmos o hino 130 do Hinário Evangélico: ‘Com glória coroai’” – hino de Edward Perronet

Se não for uma adaptação que tende para o pop rock ou funk, muitos cristãos da presente geração não pensariam duas vezes em dizer que preferem cantar um gospel hit parade em vez do hino. Ainda mais se o hino for ternário simples, que é a forma de compasso mais “odiada”. Nas igrejas, é difícil ver músicos que saibam acompanhar uma música ternária simples. Mas isso não é só exclusividade do segmento gospel. É uma peculiaridade negativa de alguns, instrumentistas principalmente.


Longe de querer mostrar o que é um compasso ternário simples, a minha abordagem vem tratar de um assunto cada vez menos falado e vivenciado nas igrejas do país, atualmente. Cantar um hino na proposta estilística original é uma atividade litúrgica cada vez mais difícil de praticar. Mas há, ainda hoje, igrejas que mantêm a prática com muito ardor e persistência, a fim de louvar a Deus e, também, preservar este patrimônio cristão que são os hinos.

Fatos preponderantes para a não familiarização com o estilo: pouco se fala, pouco se conhece a respeito dos Hinos, seus fundamentos e propostas. A Hinologia Cristã está longe de ser um movimento de poemas/canções compilados sem critério. Isso é algo óbvio. Mas a anestesia do movimento Modernista, “A regra é não ter regra”, que já é intrínseca à humanidade contemporânea, levou a diligência e conhecimento correnteza abaixo no que se refere à criação de obras poéticas e artísticas em geral. Afinal de contas, numa era em que um mictório é obra de arte, tudo pode virar arte.

Em "A Survey of Christian Hymnody", de W. J. Reynolds, são expostos princípios normativos de um hino. Mas antes é importante definir “hino cristão”: é um poema lírico, concebido com reverência e devoção, destinado a ser cantado e que expressa a atitude do adorador para com Deus, ou os propósitos de Deus na vida humana. O hino deve ser simples e métrico quanto à forma, genuinamente emocional, poético e literário no estilo, espiritual na qualidade, e em seus conceitos tão direto e manifesto para unificar uma congregação enquanto o canta. (Carl F. Price, "What is a Hymn?" Papers of the Hymn Society, VI, 1937. p. 8.)

E os princípios normativos:

1. O hino deve ser fiel às Escrituras. Hinos baseados em textos bíblicos não devem distorcer o sentido ou inserir ideias contrárias ao conteúdo do texto. Hinos não baseados diretamente nas Escrituras, mas na experiência cristã, devem evitar encaixe de ideias que não estejam em harmonia com o conteúdo escriturístico.

2. O hino deve ser reverente e devocional. O estilo e caráter do hino devem ser majestosos, em harmonia com o decoro litúrgico e condizentes com a adoração pública. Devem ser evitadas cuidadosamente a trivialidade e a banalidade.

3. O hino deve ser uma expressão poética e lírica. Hino é um poema e as mais requintadas qualidades de expressão poética devem se tornar evidentes. Deve ser simples na forma, com naturalidade e suavidade no movimento. As ideias devem, antes, ser bem evidentes do que sutilmente oculta em divagações e complexidade.

4. O hino deve expressar significado espiritual. O hino deve abordar experiências da vida cristã significativas para a pessoa. O vigor e a energia da vida cristã devem ser fortalecidos pelas expressões do hino e se constituírem em constante estímulo ao crescimento e desenvolvimento cristãos. Sentimentos débeis, triviais ou enfermiços em nada contribuem neste sentido.

5. O hino deve ter solidez estrutural. Os versos e as estrofes do hino devem ter uma unidade orgânica.

6. O hino deve ser baseado em experiências comuns. Para ser apropriado ao uso congregacional, deve basear-se em experiências ou em ideias comuns a toda a congregação. Expressões relacionadas a uma experiência extraordinária, peculiar a uma pessoa, embora verdadeira, são inapropriadas para o uso congregacional.

Em destaque estão princípios que abordam o trabalho literário do movimento.

Os Hinos são de um movimento literário organizado. A música não é o principal. O principal são os textos. A métrica do poema é o mais importante para compor a música do poema. Por exemplo, em um hino 8.8.8.8 teremos, a cada estrofe, quatro versos de oito sílabas.

Os hinos têm, também, um princípio de que a melodia cantada com o texto pode variar, desde que não interfira na métrica do poema. Isso é notório nos hinários cristãos nos quais encontramos mais de uma versão musical para um mesmo poema. O hino 130 do Hinário Evangélico é um exemplo disso.

Nos posts seguintes continuarei a escrever sobre Hinologia Cristã, citando a biografia e trabalhos de escritores de hinos cristãos, buscando respaldo em sua formação pessoal. Dentre os grandes, os Metodistas estão entre os principais nomes, como por exemplo Charles Wesley, que será abordado no próximo post.

“Escreveu mais de cinco mil hinos. Em todos os hinários que
circulam entre o povo que fala inglês encontram-se hinos de Carlos Wesley"


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