O Amigo Revelado

23.12.11 |










Hoje tenho a oportunidade de compartilhar com vocês sucintamente um conto de Caio Fernando Abreu, intitulado O inimigo secreto. Característico dos contos, este em questão não faz referência a datas ou muito sobre a identidade do personagem, mas ao longo da leitura aprendemos muito sobre o caráter de um homem, que vai sendo revelado por cartas de um ‘inimigo secreto’. As cartas, enviadas por esse tal inimigo, não poderiam ter conteúdo diferente de acusações que sempre trazem à tona pensamentos e situações do próprio personagem ao longo de sua vida. A grande surpresa está no final do texto, onde descobrimos que o autor das cartas é o próprio sujeito, vivendo uma grande crise de remorso que o julga por tantos erros cometidos. Atormentado por muitas lembranças amargas, ele se mata. Não fiquem injuriados por eu ter revelado o final, pois ainda assim vale a pena ler o conto e ver que grande canalha o cara era (e se a carapuça servir, tenha a boa vontade de terminar de ler esse meu humilde texto).


A surpresa que tive ao terminar de ler este conto me despertou a respeito de um assunto que considero um tanto quanto importante (senão o mais). Vamos “comemorar” o natal neste final de semana, época em que amigos secretos/ocultos estão no auge contracenando com pessoas empenhadas a escrever e procurar sobre o verdadeiro sentido do natal. Sempre as mesmas trocas de presentes, trocas de frases reflexivas e textos afetivos que, de boa, enche o saco. Mas, se você curte, eu te aceito mesmo assim (viva as diferenças!).

Neste clima natalino, famílias são incentivadas a fazerem aquela bonita reunião e a aproveitarem as ofertas das lojas para terem sucesso na demonstração de afeto aos parentes e amigos. Existem pessoas que têm o privilégio de participar de algo bacana e outras que não. Independente de onde participa cada corpo é acompanhado por uma subjetividade que vivencia mais um 25 de dezembro!

Finalmente, chego à primeira coisa que gostaria de pensar com vocês. Não é difícil ouvir de jovens, adultos e idosos um comentário de desilusão a respeito do natal. Afinal de contas, não se pode mais sentir aquele clima gostoso e alegria que se sentia enquanto criança. Há diversas razões para aquele encanto natalino ir embora, mas baseando-me ao conto que vocês já devem (deveriam, pois é muito bom!) ter lido, quero falar daqueles conflitos internos que carregamos por toda uma vida. Os que dia a dia nos tornam mais fracos, menos desejosos e menos otimistas. Rendidos aos nossos próprios pensamentos confusos e cansados, os dias passam ser apenas dias comuns. Somos errantes e temos que conviver com nossas falhas constantemente. Entretanto, muitas falhas tomam proporções tão grandes e são tão atordoantes, que algumas pessoas somente encontram saída ao findar sua existência (como no caso do personagem).

A segunda (e quase última) coisa que gostaria de falar é a respeito de alguém que me faz encarar todos os meus conflitos, me desafia a resolvê-los e me faz aprender todos os dias. Esse meu amigo não só me faz alegrar-me no dia do Natal, assim como na maioria dos meus dias (mesmo com os conflitos presentes). Aliás, esse assunto me parece relacionado ao tão procurado sentido do natal. Vocês conhecem um comentado Jesus, que nasceu numa manjedoura, no meio de alguns animais (os racionais também, hehe), gerado por uma mulher que engravidou de um Espírito (Santo!), que quase foi jurado de morte por Herodes e que mudou toda a história da humanidade? Esse mesmo! É este o alguém que me ajuda.

Sabe por que eu posso comemorar o natal? Não por eu ter para onde ir, por eu saber de onde surgiu essa história toda, por eu estar em paz comigo e com o mundo ou por que as pessoas “normais” comemoram. Mas, porque é o aniversário de quem faz diferença na minha vida hoje. De quem nasceu para muitos, mas que eu posso sentir seu cuidado tão único e particular em minha vida. De quem não me deixa ceder e pensar que o fim da minha existência é o fim dos meus pecados. Alguém que me disse: eu te liberto de todos eles, mas antes, vamos juntos resolvê-los? O dia do Natal me faz lembrar de todos os dias em que posso simplesmente pensar “oi, Pai” e sentir uma paz e segurança porque Ele, Jesus Cristo, é vivo e é vivificador!

O verdadeiro sentido do natal e melhor presente está disponível para todos! Incrivelmente e principalmente a você, que ainda se considera como seu inimigo secreto (ou não)!


Samara Lacerda

Samara Lacerda

Nasci em 1991, moro em Minas Gerais. Estudo Psicologia, a ciência que amo e escolhi. Sigo Jesus, o mestre que me inspira a viver, que me escolheu.

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