- Musica, você tem valor![?]

14.12.11 |












Uma vez tive a oportunidade de ouvir uma ilustração de uma professora na Universidade que me chama a atenção até hoje e creio que por muito tempo irá ficar martelando a minha cabeça.

Em certo momento da aula a professora começou a tecer um comentário, dizendo que músicos compositores da antiguidade ali estudados, independente do momento, circunstância e finalidade em que suas obras musicais seriam utilizadas, sabiam que estavam aplicando em suas obras conhecimento musical científico, consciente, cada um à sua maneira. É tanto que ainda nos dias de hoje suas obras agora já não são mais objeto somente de performance visto que elas estão encharcadas de movimento artístico e seu labor, técnica, tratados, análises, morfologia, texturas e outras coisas mais.  Isso é o que acontece, por exemplo, quando se pega composições de Johann Sebastian Bach, músico barroco, também cristão e Tom Jobim da música popular brasileira, do século XX. É claro que existem tantos outros mais, porém os dois estão para mostrar que movimento artístico não é coisa somente do passado distante. Porém...

“O que será que o homem do futuro, do ano 5000, irá perceber e concluir quando ele achar um pen drive com músicas da Ivete Sangalo nos destroços de povos antigos do ano 2007?”

Foi com essa ilustração que a professora terminou seu comentário a respeito do valor artístico-musical. Por que eu digo isto? Porque basicamente se pegarmos um apanhado geral do que se produz de Música (ou “música”) hoje a grande maioria não possui características de trabalho artístico-musical, pode-se dizer. Hoje em dia além dos sons organizados em música e texto temos também a mais recém aliada: a imagem. Com isso tudo o objeto principal do trabalho que seria o som (Música) fica em último plano, quase caindo no esquecimento.
Conclui-se isto quando observamos a banda de teen rock Restart, por exemplo: temos o seu estilo de vestir como carro chefe de promoção. Temos também vários outros exemplos de bandas, vocalistas (cantores não!) que têm a divulgação do seu trabalho pautada em aspectos visuais. Todos sabem de muitos que são assim, principalmente do meio secular. Mas com certeza há no meio gospel e em grande maioria. Analise bem como no meio secular a Música(lidade) do “artista-músico” vai sendo cada vez mais deixada de lado e o apelo e apego visuais vão se firmando: clips, coreografias, shows de mega estrutura, fotografias do “artista-músico”, etc.

Mas agora falando de Música(lidade) no meio cristão. Não são as mesmas coisas e estilos de trabalho que acontecem? Claro que sim. Com isso a Música, o Som e a Ciência Musical são os mais prejudicados uma vez que a grande maioria do público consumidor de música consome principalmente este tipo de trabalho “musical” e acaba tomando para si “artistas-músicos” desse nível como referência do que vem a ser um Músico (de verdade). Se tirarmos tudo o que é visual e literário retendo-nos ao que realmente vem a ser Música concluiremos que o trabalho desses “artistas-músicos” é de tamanha pobreza de conhecimento e preocupação laboral. Pra dar ar de que o trabalho musical é bom, variados timbres eletrônicos são usados como recurso para a Música(lidade) ganhar o ar de boa qualidade. Se tirarmos também estes recursos obtendo o som mais cru e orgânico possível, a máscara de muitos “artistas-músicos” será tirada e chegar-se-á ao que realmente seria o trabalho Musical onde se tem: timbre, ritmo, melodia, harmonia, dinâmica, expressão e morfologia. Basicamente esses elementos. É aí que se enxerga o trabalho musical, a Música(lidade), o Som.

Infelizmente no meio musical cristão, principalmente depois da indústria fonográfica se consolidar, são poucos os Artistas-Músicos-de-Verdade, ainda que estes também façam uso de timbres eletrônicos, elementos visuais e literários para incrementarem a promoção do trabalho.

Vale ressaltar o trabalho e a própria pessoa de músicos brasileiros dos dias de hoje que são cristãos como Hélio Delmiro, João Alexandre, Leonardo Gonçalves, Juninho Afram e a galera do Oficina G3, Arautos do Rei (quarteto), Prisma Brasil. No meio cristão estes tem a minha admiração pelo seu trabalho Musical. Conhece-los somente de ouvir seus trabalhos musicais seria suficiente pra mim. Continuaria sendo um consumidor de suas músicas. Mas além disso trazem agregados à musicalidade textos que gosto de recitá-los em melodia.

Aqui fica a pergunta pra cada um fazer para si mesmo em autoanálise:

Música, em que está firmado o seu valor pra mim?

Se para os “artistas-músicos” a Música não tem valor primário e sim os textos e o visual, a falta de conhecimento da matéria-prima do trabalho está detectada.

Música para ensinar regras de Física; Música para auxiliar o desenvolvimento da criança; Música para louvar a Deus; Música para dançar; Música pra terapia; Música para minha imagem; etc. Nada disso tem valor se a Música primeiramente não for para ela mesma.

Em se tratando de Música para louvar a Deus, também não tem nenhum valor se o meu louvor e honraria a Deus dependerem de aspectos musicais para acontecer. Hipócrita para com Deus eu seria.

Música pela Música.

Arte pela Arte.

A Deus louvores, elogios e adoração sempre, pois ele merece. Isso não é Música.

Um abraço, galera!




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